Hoseok se sentia mal em ver tantas pessoas se aglomerarem na frente de sua casa para protestar. Ele ficava ao lado de seu irmão na sacada vendo um bando de pessoas – a maioria bem miseráveis – brigarem e gritarem palavra de ódio contra o governo. Ele achava que era errado seu pai ter aumentado tanto os impostos assim, visto que a maioria que pagavam não tinham onde cair mortos. Ele ficou ainda mais desesperado quando viu seu pai ordenar que atacassem os mesmos.
— Aprenda Hoseok, um dia serás você aqui em meu lugar. Terás que ser um homem de marra e que não abaixarás tua cabeça para teus súditos.
Hoseok assentiu para seu pai e olhou para seu irmão dando um sorriso. Ele adorava ver essas cenas de guerra e caos. Homul era tão diferente dele, ele era mau e perverso. Hoseok achava que seu irmão deveria cuidar do reino, pois tinha um sangue mais frio e era duro na queda, porém como ele tinha nascido dois minutos antes que seu irmão gêmeo, Hoseok era o herdeiro do trono. Não que isso fizesse diferença, pois seu pai nunca expunha ele ou Homul para o público, se ele quisesse dizer que Homul era o herdeiro do trono, todos acreditariam.
O jovem não entendia como bater nas pessoas seria uma coisa melhor de se fazer, uma vez que você poderia explicar os motivos da mudança e tentar negociar. Hoseok bufou, saindo o gabinete de seu pai, indo para seu quarto, onde ficou por horas até os gritos sessarem e ele poder ficar em paz.
No outro dia, seu pai estava conversando e rindo com outros conselheiros e pedindo para retirar as pessoas que tinham prendido no calabouço. Alguns eles estava conversando e liberando, porém outros ele estava mandando matar. Hoseok ficava calado, aprendendo como a ser um rei duro e de uma palavra só como seu pai era. Ele nunca tinha visto mais de cem pessoas morrerem em apenas dois dias, só que, graças a Deus, aquilo tinha acabado e tudo parecia ter voltado na sua normalidade, mesmo com mortes de pessoas inocentes.

Certo dia, quando desceu até a cozinha para matar sua fome noturna, Hoseok ouviu alguns barulhos estranhos vindos do chão. Naquele dia, ele apenas tinha ignorado o barulho por pensar que seriam roedores a andar no calabouço. Só que a curiosidade do príncipe foi aumentando cada vez mais, pois todas as vezes que descia para a cozinha, ele ouvia algo e já tinha percebido que não eram roedores.
Um dia depois do almoço, quando tudo estava bem calmo e ele não tinha afazeres, Hoseok foi até o calabouço procurar o motivo dos barulhos e se assustou quando viu alguém gritar. O seu coração estava acelerado de tal forma que ele jurava que poderia sair pela boca. Hoseok pensava que todas as pessoas tinham sido tiradas do calabouço, mas ele estava enganado.
Assim que o susto tinha passado, Hoseok voltou a andar, procurando a alma viva que tinha gritado para ele. E ao achar a cela com a pessoa, ele apenas parou ali na frente, sentindo um frio na barriga e ficou ainda mais nervoso quando o garoto um pouquinho maior que ele, levantou-se com um ar de sofrido, o olhando profundamente.
— Não acredito que esqueceram-te aqui! — ele falou alto, tentando esconder a sua insegurança. — Ótimo, vou avisar aos meus súditos que podem mandá-lo para a guilhotina também.
Hoseok tentou imprimir o seu pai em suas falas. As falas que, com certeza, dariam orgulho ao rei e ele poderia subir mais no conceito de seu pai. Só que ele ainda conseguia sentir uma compaixão pelas pessoas. O rapaz preso, não demonstrava nenhuma reação de medo, alegria ou dor. Ele continuava entorpecido do lugar, olhando fundo para Hoseok.
— Ainda és um mal-educado, pois não te prostras diante de teu futuro rei!
Ainda sem reação, o outro continuava olhando para Hoseok como ele fosse uma migarem e não existisse. Hoseok deu-se conta de que ele nem poderia saber quem ele era, já que quase nunca saia do castelo ou saia em capas de jornais.
— Não vais dizer nada? — ele perguntou mais uma vez, ficando ainda mais nervoso. — Serão teus últimos minutos de vida, deverias dizer algo!
Seu corpo estava tão bambo que Hoseok sabia se ficasse ali mais um minuto, ele desmontaria no chão.
— Água… — o garoto respondeu, com uma voz fraca e caiu no chão, desmaiado.
Hoseok levou a mão até a boca, desesperado em ver o outro no chão. Ele tentou abrir a cela, mas estava trancada e ele saiu correndo dali, antes que o mesmo acordasse e subiu até o gabinete de seu pai, querendo contar o que viu, porém seu pai poderia matá-lo.
— O que foi, Hoseok? — seu irmão perguntou. — Estás tão pálido quando uma folha em branco.
— Não estou passando bem, meu irmão.
— Vá descansar, tu não tens nada para fazer mesmo. — Homul disse, retirando seus óculos. — Tu és tão organizado que fez teu trabalho de uma semana em apenas um dia, vosso pai estás orgulhoso de ti.
— Eu serei um rei, tenho que ter disciplina, Homul.
— Estás certo.
— Eu vou para meus aposentos, com licença. — Hoseok pediu, saindo o mais de pressa de lá.
Ele jogou-se na sua cama, repassando aqueles poucos, no máximo cinco minutos que tinha passado no calabouço. O pedido daquele preso passava por sua cabeça e ele não conseguia se concentrar para fazer nada mais, além de querer sair dali e atender o pedido dele.

Na madrugada, Hoseok levantou-se e foi até a cozinha pegando um copo grande com água para levar para o preso, só que ele sentia tanta pena que acabou pegando pedaços de pão, queijo e algumas frutas para levar também. Se ele estava tão desesperado por água, ele também deveria estar desesperado por algum alimento.
Ele andava devagar por aqueles corredores estreitos e escuros do calabouço. Hoseok tinha muito medo dali, pois os ratos e baratas passando a todo momento, adoidados, o deixavam com uma sensação de nojo, porém ele ainda queria ajudar o rapaz.
O garoto estava tão abatido no chão que apenas levantou o olhar para Hoseok, mas não disse e moveu nada, até ver um prato de comida sendo colocado na abertura para a mesma. Ele atacou aquilo como se fosse um animal. O príncipe ajoelhou-se no chão, passando o copo entre as grades e o prisioneiro pegou imediatamente, bebendo tudo de uma vez.
— Obrigado. — ele pediu.
Sua voz parecia tão agradecida que Hoseok sentiu seu coração se aquecer, porém, mais uma vez, ele deixou a máscara que seu pai queria que ele tivesse vir a toda. Ele levantou-se, virando-se de costas para não encarar o outro. Ele nunca teria coragem de falar palavras tão duras como soltaria olhando para aqueles olhos.
— Devemos atender o último pedido das pessoas antes de tua morte. — ele falou, sentindo-se um lixo.
O prisioneiro sequer respondeu e Hoseok suspirou, arrependido, pensando em dar o primeiro passo para sair dali.
— Qual teu nome? — a voz grave dele ecoou, arrepiando-o por inteiro.
— Não te interessa!
— Serás o meu último pedido, Alteza. — insistiu.
— Jung Hoseok. — respondeu, não conseguindo ser grosso mais uma vez.
— O meu nome é…
— Não fales mais nada! — Hoseok pediu, virando-se para ele com uma expressão incrédula. — Quando sabemos o nome de alguém, nós podemos criar vínculos com ela. E a última coisa que eu quero criar contigo é alguma espécie de vínculo, teu criminosinho. — Hoseok bufou, saindo de lá o mais rápido possível.
Se ele já estava daquele jeito sem saber o nome do rapaz, imagina se soubesse. Imagina vê-lo morrer e pensar “Eu sabia seu nome, pois ele me disse quando eu o alimentei antes de sua morte.”.
Durante dias Hoseok pegou-se pensando no outro rapaz. Pensava tanto que até o rendimento em seu trabalho tinha caído. Ele deveria contar para seu pai que tinha alguém vivo no calabouço ou não?

Hoseok pegava-se todas as noites indo para a cozinha e indo para o calabouço alimentar o prisioneiro mais fofo que ele já tinha conhecido. E toda aquela história de que não queria criar um vínculo com ele, tinha ido por terra. Eles estavam virando amigos e não saber o nome um do outro era meio estranho. Hoseok adorou saber o nome de Taehyung. O nome que mais pronunciaria acompanhado de um sorriso daquele dia em diante. Hoseok gostava de ajudar Taehyung. Gostava de ver o mesmo feliz e bem alimentado. Gostava de fazê-lo sorrir e sorrir por sua causa. Hoseok admitia para si mesmo que estava apaixonado por aquele rapaz atrás das grades. Sua cabeça passava o mesmo vinte e quatro horas por dia. Por Taehyung, ele até tinha conseguido a chave do calabouço para levá-lo para se banhar e comer bem de verdade na cozinha.
Foi em uma dessas noites que Hoseok escolhia para levá-lo para se banhar que aconteceu o primeiro beijo deles. Foi o pior e o melhor beijo. Nenhum dos dois nunca tinham beijado na vida e a falta de experiência só foi superada, pois eles queriam muito aquilo. Depois daquele primeiro beijo onde Taehyung estava todo nu e Hoseok apenas com um pijama de seda, aconteceu o segundo, o terceiro, o quarto… Depois veio a primeira noite que Hoseok passou junto de seu amado aquele chão nojento do calabouço. Depois veio as fugas até seu quarto. Era tão excitante viver aquele romance proibido sem que ninguém soubesse nem da existência daquele ser no castelo. A primeira noite de amor deles foi a coisa mais perigosamente excitante que poderia ter acontecido. Hoseok sentia medo de que seu irmão, que dormia no quarto ao lado do seu, pudesse ouvir barulhos estranhos.
Ao passar do tempo as noites de amor iam se intercalando do chão daquela cela e o colchão macio do quarto de Hoseok, mas o lugar era o que menos importava para aqueles dois. Eles só queriam saber do prazer que aquele ato davam para os dois e sentirem-se como um só enquanto queimavam em um prazer absoluto juntos.
Faziam um ano e meio desde que os dois tinham começado aquela espécie de namoro. Homul já começava a reparar o jeito estranho do irmão e Hoseok já começava a se questionar que se manter Taehyung preso ainda era a melhor coisa. Era meio cruel que ele tivesse mantendo Taehyung ali apenas por um capricho seu. Hoseok se sentia como um homem que mantinha escravos sexuais para seu prazer, porém o fato de ter Taehyung ali era tão mais confortante, pois sempre que precisasse, ele poderia descer até ele e dar um abraço apertado e sentir seu cheiro e o sabor de teus lábios.
Hoseok já percebia o quão difícil estava sendo encontrar Taehyung, de um tempo para lá, Homul já estava dando algum trabalho e, talvez, desconfiasse das coisas, só que ele consegui esconder por mais um ano, antes de uma paciência acabar. Ele precisava colocar Taehyung para fora de algum jeito! Ele estava estudando métodos de livrá-lo, sem que os guardas vissem os dois, até que ouviu seus pais combinando uma festa de aniversário para sua irmã que faria 15 anos e eles já queriam arrumá-la um esposo para fortalecer os laços com algum dos reinos vizinhos. Foi ai que a brilhante ideia de liberar Taehyung começou ser arquitetada em sua cabeça. Hoseok pensou em vesti-lo de princesa e liberá-lo pelo portão dos fundos do castelo.
Taehyung não tinha aceitado muito bem ter que se vestir de mulher, mas acabou sedento, ele também queria ser liberto e todos já sabiam daquilo. Até que, por fim, ele aceitou. Na noite do baile, Hoseok desceu, escondido, levando umas roupas velhas que sua mãe tinha colocado para jogar fora e por ela ser magra e alta, daqui para Taehyung, embora ele ainda fosse centímetros mais alto que sua mãe.
Se despedir de Taehyung naquele dia foi doloroso, porém uma felicidade espalhou-se por seu corpo em ver ele, que era inocente, livre para poder viver sua vida novamente.
— Eu amo muito você.
Hoseok falou para o vento, tendo a ideia romântica de que o vento levasse aquilo para Taehyung. O príncipe sabia que sentiria muita falta de Taehyung até encontrá-lo dali três dias.
— O que estás fazendo aqui, Hosoek? — Homul chegou por trás de seu irmão, assustando-o.
— Na-nada… — ele respondeu, gaguejando.
— Entre, vai começar a valsa e vosso vai queres que dance com uma princesa.
— O quê? Eras para arrumar um pretendente para Jinah e não para mim! — ele ficou furioso.
— Sabes que para ela se casar, tu tens que estás casado, assim como eu, não? Tu precisas casar-se o mais rápido possível, tu já tens vinte anos. Já estás velho!
— Cale-se, Homul! — Hoseok bufou, entrando para o castelo, tentando fazer casa de feliz naquela festa.
Era o dia do reencontro com Taehyung. Hoseok não conseguia fazer o sorriso de seu rosto desaparecer e fez todo o seu trabalho o mais rápido possível para poder se arrumar e ir encontrar seu amado, mas Homul chegou com mais papelada, jogando na mesa do irmão e seu sorriso foi embora na hora.
— Mais? — Hosoek perguntou.
— Sim, para hoje. Vosso pai queres que esteja pronto até oito horas.
— O quê? Nunca que irei conseguir terminar isso! Eu necessito de um descanso.
— Eu não faço as regras, Hoseok.
Hoseok, voltou-se a sentar na cadeira, olhando para o relógio. Dali duas horas o sol começaria a se pôr e seria hora de se encontrar com Taehyung. Ele mordeu os lábios, abrindo umas pastas e revisando tudo o mais rápido que conseguia, mas assim que seu irmão se distraiu um pouco, Hoseok saiu correndo para seu encontro.
Já estava escuro e ele já estava preocupado que Taehyung tivesse ido embora, mas ao se aproximar do lago e ver uma silhueta bem conhecida por ele, sentando em uma pedra olhando para o lago, ele só pode sorrir. Taehyung olhou para trás e correu até o príncipe, dando-o um abraço muito forte.
— Desculpa pela demora.
Taehyung pôs as mãos nos lábios de Hoseok, dando uma risada alegre beijando-o apaixonadamente.

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