Era uma vergonha para Hoseok está nu na frente dos pais, recebendo olhares julgadores e gritos de nojo. Ele não sabia o motivo do nojo, pois ele não estava fazendo nada demais. Ele só estava se amando com a pessoa que ele se amava.
Hoseok foi levado para o quarto e mantido preso lá. Ele quase não comia ou bebia algo, muito menos saia de lá para alguma atividade. Ele só sabia por bilhetes que seu irmão colocava debaixo de sua porta, que estavam negociando o casamento para o mais rápido possível. Hoseok também soube pelo irmão que boatos de que Taehyung era um prostituto tinha se espalhado pela província. Hoseok só soube chorar e pedir perdão pelo que ele tinha feito acontecer. Ele tinha estragado a vida de uma pessoa e não conseguia fazer nada por estar preso naquele quarto.
— Tu amas ele de verdade? — Homul perguntou baixo, do outro lado da porta. — Queres que eu vá atrás dele e diga que estás tudo bem contigo?
— Farias isso por mim? — Hoseok perguntou.
— É claro. Sabes onde ele mora?
— Taehyung disse que eras fazendeiro e trabalhavas nas plantações de batatas.
— Eu irei lá assim que o sol amanhecer.
Hoseok não conseguia agradecer ao irmão, ele só conseguia ter um fio de esperança que pudesse ver Taehyung outra vez.

Pela manhã, ele ficou na sacada de seu quarto, ficando ainda mais feliz quando viu seu irmão sair acompanhado de um soldado. Ele estava cumprindo o que tinha dito. Foi o único motivo de alegria de Hoseok nesses duas semanas preso dentro do quarto.
Hoseok não conseguia aguentar de ansiedade e quando ouviu três toques na porta, ele correu até lá.
— Oi?
— Eu fui onde falaste que Taehyung estava. — Homul falou.
— E?
— Ele mudou-se com a família, Hoseok. Eles estavam passando por dificuldades, ainda mais com os boatos que apareceram sobre Taehyung. Eles foram tentar uma vida melhor em outro lugar. Me desculpe!
— Tudo bem.
Não, não estava tudo bem para Hoseok. Seu coração estava doendo de culpa. Era culpa dele. Era tudo culpa dele! Ele tinha feito Taehyung ganhar aquele apelido de prostituto e ele que não tinha sido cuidadoso o suficiente para marcar um encontro em um lugar melhor. Com certeza, Taehyung estava o odiando por ter estragado a vida dele e de sua família em um caos.
Hoseok tinha perdido as contas de quantas vezes tinha pensando em acabar com sua vida naqueles meses que estava longe de Taehyung, e tendo que viver com uma mulher que ao menos amava só por estratégias políticas. Ele tentava parecer bem, mas quando chegava no quarto, ele tentava se matar, porém as duas vezes que quase conseguiu, ele foi impedido por seu irmão.
Casar-se com alguém que não amava era tão ruim. Ele não queria casar com aquela mulher. Ele não queria ter filhos com aquela mulher. Tudo que ele queria era Taehyung ao seu lado, mesmo que isso significasse perder o título mornaco. Porém Hoseok estava agindo como uma princesa. Ele não falava suas vontades, ele apenas seguia o que os pais falam com a cabeça baixa e sem dizer um “a”. Para torna-se uma princesa de verdade, ele só precisava de vestidos, pois a submissão já estava nele.
Para tentar acalmar a saudades que sentia, Hoseok começou a escrever cartas diariamente para Taehyung, mesmo que as mesmas nunca fossem encontrar as mãos dele. Ele escrevia sobre seu dia, sobre seus sonhos, sobre o desejo de reencontrá-lo, até sobre o desejo de se matar. Hoseok escrevia e ia até perto do lago, e enterrava no solo. Ele esperava que um dia, se Taehyung tivesse coragem de voltar para lá, ele lembrasse daquele lugar e encontrasse as cartas enterradas. Um pensamento utópico e muito romântico? Sim, muito.

Hoseok sabia que todo ano, no equinócio de verão, tinha uma festa para comemorar esse dia. Ele deveria estar nessa comemoração junto com sua noiva – a mesma que ele casaria dali três dias –, porém ele pegou seu cavalo e foi para as extremidades da cidade, onde passava por fazendas com plantações. Todas as casinhas eram iguais e lembrou-se de todas as vezes que Taehyung contava-o como era viver no meio daquele lugar. Hoseok sentiu seu coração acelerar quando passou na frente de uma casa e ouviu um grito e logo após um bebê chorando. Ele parou com o cavalo na frente daquela casa, e ficou ouvindo a criança chorar, mas logo que foi entregue a sobra – possivelmente da mãe – o bebê se calou e ele resolveu voltar para casa com o seu coração acelerado.
Os anos se passaram, Hoseok casou-se, contra sua vontade, teve filhos e mesmo que já tivesse se acostumado com a vida que levava, ele não conseguia esquecer Taehyung. Ele amava seus filhos, porém com sua esposa, só conseguiu ter um carinho de amigo. Homul também tinha casado-se e tido seus filhos, a casa estava cheia de crianças e o desejo de Hoseok era que ali, no lugar dos seus filhos com Eunmoon, fosse seus filhos com Taehyung.
Hoseok sempre ficava mal a cada vez que ia fazer algum pronunciamento e ficava procurando um rosto família de Taehyung no meio da multidão. Não era possível que Taehyung não tinha voltado ali uma única vez para vê-lo. Taehyung tinha dito que o amava mais que tudo e tinha desaparecido para sempre. Talvez aquele amor era só para conseguir sua libertação. — Hoseok odiava pensar assim do mais novo, só que ele não conseguia evitar. Taehyung tinha desaparecido de sua vida e ele nem tinha culpa daquilo, mesmo que se culpasse até o último fio de cabelo.
A cada dia uma decepção diferente. A cada dia que ele acordava, ele via que sua vida não ia mudar. Era aquilo e continuaria sendo até o último dia se sua vida.

Hoseok passava o dia trabalho, foi assim que teve um descanso de pensar de Taehyung. Ele queria mesmo era passar o dia dentro de um escritório, vendo números e mais número, palavras e mais palavras. Tudo aquilo ajudava em seu tratamento anti-Taehyung. Se o mesmo tinha ido embora e o esquecido, então ele deveria fazer a mesma coisa.
Hoseok pegou uma xícara de chá, indo até a varanda do gabinete onde trabalhava com o pai e sorriu observando Homul brincando com seus filhos e sua esposa no jardim. Ele sentiu o vendo um tanto gelado bater em seu rosto e ficou reparando seu irmão conversar com sua pessoa no portão. Ele nem estava tão perto assim das grades, então dava para ver que o homem estava com roupas simples de fazendeiro. Hoseok apertou as vistas, tentando ter uma visão mais clara de quem era a pessoa que conversava com seu irmão. Taehyung? — ele pensou. Ele tinha certeza de que era Taehyung. Taehyung tinha voltado para lá? — Hoseok tinha contado para Taehyung que tinha um irmão, porém ele não se lembrava se tinha dito que ele era seu gêmeo. Hoseok colocou a xícara de chá na mesa, descendo o mais rápido até o jardim nos fundos do castelo, mas ele viu pela janela que o mesmo estava indo embora, então começou a gritar o nome dele.
— Para de gritar! — seu irmão pediu, entrando em casa.
— Eras Taehyung? — ele perguntou.
— Não, não eras. Era um simples miserável pedindo comida.
— Não, Homul…
— Não eras ele! — seu irmão exclamou. — Esse plebeuzinho que amavas, foi embora e nunca mais voltastes. Não percebes que ele só te enganou para que liberasse ele? Tu deverias ter entregado-o para vosso pai e ele ter o julgamento que merecia.
Seu irmão bufou, saindo de frente dele. De alguma forma, Homul estava certo. Tinha grandes chances que Taehyung tivesse apenas o usado, mas o amor que ele sentia era mais forte e não podia acreditar naquilo tão facilmente. Hoseok saiu correndo, abrindo o portão com alguma esperança de que encontrasse a pessoa no caminho, porém foi apenas realmente um querer dele. Não tinha nenhum rastro da pessoa por ali. Realmente seu irmão estava falando a verdade e era qualquer pessoa menos Taehyung.
Hoseok passou na frente do lago, vendo areia jogada de qualquer coisa para os lados e ele teve um fio de esperança que tivesse sido Taehyung a passar por ali. Ele se aproximou, tirando a terra de cima, mas todas as cartas estavam ali do jeito que colocava. Mais uma vez ele tinha sido estapeado por sua esperança de que fosse algo real. Na realidade, a única coisa que tinha acontecido ali foi alguém ter passado e chutado o montinho de terra por diversão.
O príncipe sentou-se na pedra onde tinha visto Taehyung pela última vez, começando a chorar, pois toda a dor que o trabalho fazia esquece e que o tempo tinha curado um pouco, tinha voltado com força.
— Não achas que estás na hora de voltar? — Hoseok disse para o nado. — Já faz cinco anos desde que te vi pela última vez, Taehyung. Eu ainda te amo, Taehyung, eu ainda estou aqui te esperando.
Hoseok se sentia um imbecil falando com alguém que tinha o usado, porém se sentia mais imbecil ainda por saber que ele não escutava e o pior, por saber que ainda amava – e muito – alguém que tinha o largado sem ao menos um adeus.

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