Três anos depois…
Hoseok desceu as escadas, indo ao encontro das crianças e dos pais dos estudantes formandos da grade básica de ensino. Era tradição que os quinze melhores alunos e seus pais, poderiam ir em uma festa no castelo para receberem o diploma das mãos do rei Jung. Quando viu o príncipe descer, todos os pais pegaram seus filhos, colocando-os da melhor maneira possível e ficavam atrás deles. Hoseok passava cumprimentar as crianças e os pais. Diplomacia era sempre um saco para ele, pois não era só em ser simpático, mas em ser político também.
— Olá. — Hoseok disse cumprimentando a última criança. — Qual teu nome e qual tua idade?
— Kim Taeyang e tenho sete anos, Alteza. — ele disse sorrindo. — Oh, desculpe-me. — Taeyang fez uma reverência para o príncipe.
— Pareces comigo quando eu era menor. — Hoseok deu uma risada, levantando-se para cumprimentar o pai da criança.
Hoseok poderia jurar que estava vendo uma miragem, mas ele fechou os olhos novamente e quando abriu, a expressão dura de Taehyung, um Taehyung mais velho do que tinha visto pela última vez, ainda estava na sua frente. Taehyung fez uma reverência, calado, mas não demonstrou nada além de um ódio que exalava pelo seu olhar.
— Taehyung… — sussurrou.
— Alteza. — ele respondeu. — Quanto tempo.
— Você… — Hoseok travou. — Com licença. — Hoseok se afastou, indo para o meio da sala de visitas, dizendo que eles já poderiam se servirem e aproveitarem a festa.
Quando virou-se, ele viu apenas Taeyang correndo até um grupo de meninos e Taehyung tinha desaparecido.
Hoseok observava cada gesto de Taeyang no meio da multidão. O garoto tinha sua cara, mas o jeito era inocente e brincalhão como de Taehyung. As contas rápidas que fez na cabeça com anos e fatos faziam muito sentido. Ele tinha visto Taehyung pela última vez há oito anos e se Taeyang realmente fosse filho dos dois, o que era bem provável, ele teria justamente essa idade.
O príncipe não conseguia descansar na procura de Taehyung, seu filho ainda estava lá, então o mesmo não poderia ter ido embora. Hoseok procurou em todos os cantos daquele enorme castelo, até chegar no calabouço e ver Taehyung parado na frente da cela que costumava a ficar.
Bastou um pequeno contato visual entre os dois para os olhos marejarem e o medo de se aproximarem atingi-los.
— O que queres de mim? — Taehyung perguntou. — Mesmo com tua proibição, eu consegui entrar aqui.
Hoseok se aproximou de Taehyung, colocando a mão em seu ombro, mas o mesmo deu um tapa nele, afastando-se.
— Não me toques!
— Por onde esteves, Taehyung?
— Por onde estive, Hoseok? — indagou, irônico. — Há uma hora de ti, na zona rural.
— Pares de mentir! — exclamou raivoso. — Meu irmão foste atrás de ti e disse que já tinhas mudado de província.
— Um miserável como eu me mudar? — Taehyung riu, irônico. — Ninguém nunca vieste atrás de mim, Hoseok! Nunca! — ele disse. — E quando eu vim procurar-te, eu descobri que me impediste de chegar perto do castelo para me aproximar de ti. Não aja como não lembraste daquele dia que eu o vi no jardim com teus filhos e esposa, e me disse para nunca mais me aproximar de sua família ou de você! Agora eu que te digo, Hoseok, nunca mais se aproximes de mim ou de meu filho.
— Eu nunca mais falei contigo depois daquele flagra no loga!
— Mais uma vez mentido. — Taehyung bufou, rindo, mas seus olhos já começavam a expelir lágrimas. — Eu vim aqui e te disse que tinhas um filho comigo. Eu não queria teu dinheiro ou uma posição social boa. Não queria que voltaste para mim. Eu só queria que conhecesse teu filho e, pelo menos uma vez, pudesse dar um abraço nele.
— Tu não falaste comigo!
— PARE DE MENTIR! — Taehyung chorou ainda mais. — Eu não me esqueço daquela humilhação.
— Falaste com meu irmão, Taehyung… Não me recordo se contei que meu irmão era meu gêmeo.
Taehyung pôs a mão no rosto, desmoronando mais uma vez. A sensação de mágoa, raiva e alívio de tão ter mais a culpa de que Hoseok não sabia que tinha um filho com ele, eram até palpáveis.
Hoseok soltava umas lágrimas, porém bem mais contidas do que de Taehyung. Ele aproximou do mais novo, colocando a mão em seu ombro.
— Eu não queria deixá-lo vim! — Taehyung ainda falava com lágrimas nos olhos. — Porém seria crueldade de não deixá-lo de aproveitar uma festa que sempre falaste para mim. Queria, mesmo que indiretamente, ele olhasse nos olhos do pai.
Hoseok tirou as mãos de Taehyung de seu rosto e o abraçou, forte. Naquele momento, Hoseok tinha esquecido qualquer coisa que estava se passando e começou a chorar, colocando a cabeça na volta do pescoço de Taehyung.
— Eu te amei tanto. — ele chorava, sentindo os braços de Hoseok o apertá-lo mais. — E tu me ignoraste, Hoseok! Tu casaste com outra pessoa e teve filhos com ela. Sabes o quanto chorei em cada anuncio? E-eu só não chorei mais, pois minhas lágrimas se foram toda vez que Taeyang perguntavas sobre o pai.
— Não, Taehyung, eu nunca fiz isto! — Hoseok pegou a cabeça de Taehyung, fazendo-o olhar diretamente para ele. — Eu fui preso em meu quarto e não podia sair para nada. Eu só sai do dia que conheci minha esposa. Eu falei para meu irmão ir atrás de ti e falar sobre minha situação.
— Não…
— Eu voltei naquele lago milhares de vezes, enterrando cartas, pois na minha cabeça romântica, tu voltarias lá e poderia ver que eu nunca tinha te esquecido, mesmo que soubesse que tinha se mudado por conta dos boatos.
— Não mintas para mim, Hoseok.
— Eu te provo. Eu te provo. — Hoseok sentiu a mão de Taehyung limpar suas lágrimas. — Eu continuado amando-te Eu nunca te esqueci, Taehyung.
— Eu te odeio! — Taehyung disse. — Odeio tanto que te ame ainda.
— Me dê um beijo…
— Não. — ele negou. — Tu sabes que sou fraco por ti e se beijá-lo, posso esquecer de tudo e eu não quero mais nada contigo, pois sei que nunca mais terei. És casado e tens filho, Hoseok. Respeite-os, ok? E, por favor, não chegues mais perto de mim ou de Taeyang.
— Ele é meu filho também.
— Infelizmente! — Taehyung se afastou. — Porém, eu que criei sozinho até agora. Eu que tenho que sofrer preconceito por ser considerado um prostituto, sabendo que a única pessoa que me entreguei foi você. — ele mordeu os lábios, afastando-se de Hoseok.
O príncipe bufou de raiva dele e de Taehyung. De raiva daquela história mal contada.
Hoseok levantou-se indo para o gabinete, onde seu irmão estava bem tranquilo, enquanto se alimentava. Homul foi puxado da cadeira pelo seu gêmeo e jogando contra a parede mais próxima.
— POR QUE AQUELE MENINO TENS MINHA CARA, HOMUL? — Hoseok gritou, encurralando o irmão. — POR QUE O NOME DO PAI DELE É KIM TAEHYUN? TU NÃO DISSESTE QUE NÃO TINHAS NINGUÉM NA CASA DE TAEHYUNG?
— Tu esqueceste que eu sou teu gêmeo, né? — Homul riu. — Que aquela criança também poderias ser minha, mas eu não fui um devasso que nem tu que manteve um relacionamento com outro homem durante anos. Queres saber a verdade? Eu não fui atrás de Taehyung nenhum! Naquele dia que sai, vosso pai queria que eu comprasse plantas venenosas para matá-lo, porém ele se arrependeu do que pensara. Foi um plano meu e de vosso pai. Nós falamos para ti que Taehyung tinhas ido embora e proibimos que Taehyung chegasse perto do castelo ou de você.
— Vocês dois são uns monstros! — ele exclamou, dando um soco na cara do irmão. — Eu posso ter um filho com Taehyung e eu nunca soube disso! — Hosoek continuou batendo no gêmeo.
— Do que adiantas saber agora? Tu sabes que essa criança por ter sangue de plebeu, nunca poderias ser reconhecida como um filho legítimo. Ele sempre serás um bastardo sem direito algo, pois foi concebido no pecado e fora do casamento! Agora, tu nuncas poderá falar que és pai dele, porque quando ele crescer, ele vai querer tirar o trono de Jeonghyun e causarás um inferno nesse reino.
— Eu confiava em ti, Homul, porém você foi o primeiro a me apunhá-la pelas costas.
— Te livrei de um escândalo, ok? Te livrei de levar um belo golpe da barriga de um plebeu!
— NÃO FALA ASSIM DE TAEHYUNG! — Hoseok deu outro soco em seu irmão, fazendo-o cair no chão.
— Tu tens dois filhos, ok? Somente dois filhos! Deverias cuidar mais de tu esposa, visto que a mesma estás quase morrendo. Como achas que ela se sentirias ao saber que o esposo perfeito dela a traiu.
— Não fales assim dela! Eu nunca a trai! NUNCA! Eu nem estavas mais com Taehyung quando ela apareceu em minha vida.
Hoseok quis agredi o gêmeo novamente, porém parou a mão e saiu daquele lugar. Ele se sentia duplamente traído. Seu gêmeo e seu pai tinham o separado da maneira mais bruta e cruel de Taehyung.
Hoseok ficou a noite toda com sua mulher que ainda sofria de dores. Todos os médicos diziam que ela estava prestes a morrer. Ela gritou mais alto e Hoseok se aproximou da mesma, pegando a mão dela.
— Respira, HyunSung! — ele pediu. — Vai ficar tudo bem.
— Hoseok-ah, cuide de vossos filhos. — ela falou fraca, respirando rápido.
— Não vais morrer, Sung. Por favor, fique calma.
— Não deixes meus filhos perto de Homul. — ela pediu, ficando mais fraca. — Não deixe!
— Por quê?
— Ele tens um plano com a esposa para fazer mal aos vossos filhos para o dele virar rei. — ela ia perdendo o ar, mais rápido.
Depois daquele episódio com Taehyung, Hoseok já percebia que seu irmão e nem seu pai prestavam. Ele deu um grito, ao ver sua esposa largar sua mão e ficar com o olhar perdido e saiu de lá, gritando aos quatro ventos que Homul tinha que morrer!

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