— Mais uma vez te pego com esse plebeu asqueroso!
O rei gritou, tirando um sorriso de Homul por ter dedurado o irmão. Hoseok já não conseguia acreditar nem que sua mãe o amasse de verdade, pois quase deixara que seu irmão e pai o matassem. Ele perguntava-se ela tinha parado alguma vez essa ideia deles.
— Não tem duas semanas que tua esposa morre e já estás cometendo o pecado com um imundo?
— NÃO FALES ASSIM DELE! — Hoseok gritou, erguendo seu rosto e levantando-se de sua cama, onde, antes estava sentado ao lado de Taehyung. — Tu me separaste dele no futuro.
— Eu livrei-o, Hoseok! — o rei se enfureceu mais com o filho. — Não tens como eu deixá-lo viver… Eu quero que mande esse plebeu para a guilhotina.
Taehyung assustou-se na hora e Hoseok tomou a frente do amado, como quisesse protegê-lo.
— Saia da frente dele, pois senão eu mando você também.
— Sempre quiseste fazer isso, né, papai? — Hoseok esbravejou. — Sempre quiseste me matar.
— Nunca quis! Porém só mé dás trabalho e não consigo achar outra solução.
— Eu juro se matar-me, Majestade, mesmo morto, eu irei destruir esse reino pedra por pedra. — Taehyung levantou-se, falando com uma voz suave, porém firme. — Digo, não sobrarás nenhuma pedra para contar história.
— Como ousas a falar assim comigo? Quem pensas que é?
— Pai… Mãe, como queira me chamar, do verdadeiro herdeiro do reino. — Taehyung riu. — Meus pais sabem que meu filho és filho de Hoseok e se acontecer algo comigo, eles vigarão minha morte. Eu sei que tu sabias que esperava um filho de Hoseok, pois me proibiu de chegar perto do mesmo e Homul passou-se por Hoseok para afastar-me ainda mais daqui.
— Hoseok! — o rei olhou para o filho. — Eu não acredito…
— Acreditas no quê? Que teu filho deitou-se com um plebeu imundo, como me chamas? Deitou-se, não só uma como muitas e muitas vezes. Estás venho este quarto? É onde eu tirei a virgindade de teu filho. — Taehyung deu uma risada alta, olhando para todos naquele quarto e parando seu olho frio no rei.
— Não vales um centavo, plebeu,
— Valho sim, valho muito! — o olhar frio de Taehyung começava a passear pelo quarto e parando em Hoseok. A cara do príncipe estava tão confusa. — Agora, vocês todos terão que me dar uma bela quantia de dinheiro e terras ou contarei a verdade. Posso morrer? É claro, mas não sem destruir toda a família Jung primeiro.
— Taehyung… — Hoseok sussurrou.
— O que foi? Achas que realmente queria voltar contigo? Tu me deixaste grávido passando necessidade e quem provas que não sabias que eu estava grávido, hein? Eu tive a dor do parto. Eu senti a dor da amamentação. A dor de ver meu filho querer algo e não poder dá-lo. Tu não passou de um doador de porra para mim.
— Estás vendo, meu irmão. Nós tentamos livrá-lo dessa coisa.
— Fica calado, Homul! — Taehyung brigou com ele. — Então o que vamos fazer, hein? Vão comprar meu silêncio e protegerem a integridade da família real ou colocar-me na guilhotina e deixar que o mundo toda saiba da verdade? Sabe, se meu plano de hoje deu certo, daqui uns dias ficarei grávido novamente de Hoseok.
— Quanto tu queres para calares esta boca e ires embora da minha vida para sempre? — o rei se aproximou muito de Hoseok e o mesmo afastou-o com um empurrão.
— Ótimo. Começando por uma boa quantia de dinheiro e um lote de terra em um bom lugar do reino. Pode ser bem longe daqui, não quero voltar a ver a cara de nenhum deles. Além que quero que apadrinhes meu filho e pagues a melhor escola para ele e dê aquele selo de protegido pelo reino que dão aos filhos dos soldados reais.
— Tu estás pedindo demais.
— Não estou! É teu neto legítimo. Teu neto mais velho. O verdadeiro herdeiro.
— Taehyung… — Hoseok tentou dizer algo, mas suas palavras sumiam de sua boca. Ele não conseguia acreditar naquele Taehyung frio e manipulador atrás de riquezas.
— CALA-SE! Eu já cansei de ouvir sua voz por hoje. — o mais novo bufou. — Aceitas ou não?
— Me acompanhe. — o rei chamou-o.
Taehyung na mesma hora, pegou uma faca que estava escondida em suas calças e imobilizou Homul.
— Teu filho favorito, certo? — perguntou para o rei. — Se tentares algo contra mim, eu o mato também.
Taehyung saiu com companhia do rei e Homul. Hoseok continuava parado, pensando na cena que tinha acabado de ver. Sua mãe olhou-o com ódio nos olhos.
— Estás vendo o que fizeste? Sabes que plebeus são manipuladores e tentam tirar qualquer coisa pertencente a nós? Agora, ele vai nos ameaçar para o resto da vida. Nunca vai estar bom o suficiente para ele.
Hoseok sentou-se na cama, colocando a mão na cabeça, sentindo levar um tapa da mãe.
— Espero que isso deixe seu coração duro e pare de acreditar nos outros.

Taehyung passou horas no gabinete do rei, esperando os documentos em seu nome estarem em sua mão. Negociar todas aquelas coisas, nunca foi tão fácil, pois todos eles estavam em suas mãos por causa de Taeyang. Quando estava com todas as papeladas na mão e o dinheiro em uma bolsa de couro. Taehyung largou Homul e saiu daquela sala, mas ouviu o rei gritar de ódio.
O plebeu foi até o quarto de Hoseok, o príncipe estava deitado em sua cama de qualquer jeito olhando para o teto e só deu um suspiro ao perceber que Taehyung estava ali.
— Como eu pude me enganar contigo, Taehyung? — ele engoliu seco.
— Eu fiz isto por ti também. — Taehyung disse, aproximando-se Hoseok, agarrando-o pelos ombros. — Eu preciso de um bom lugar para recebê-lo.
— O quê?
— Por favor, Hoseok, renuncie e venha morar comigo no sul do país. Onde o clima é mais quente e tem melhores terras para se plantar. Não terás o luxo que tem aqui, mas com o que tirei de teu pai, tu terás uma vida, pelo menos, digna.
— Você tinha pensado em rudo isso mesmo?
— Sim, eu tinha. Na verdade, tudo passou na minha cabeça quando ouvi a palavra guilhotina. Hoseok, eu nunca usaria nosso filho para isso. — Taehyung colocou os cabelos do homem para trás. — Eu estou esperando você… Vocês para irem embora comigo.
— Vocês. — Hoseok riu.
— Cumprirei minha promessa de cuidar dos teus filhos. — Taehyung beijou Hoseok. — Sabes onde me encontra, né? Estarei lá até o final de semana esperando-os.
Hoseok nunca tinha pensado que escrever uma carta de renunciação seria tão difícil. Aquilo não era só um título que recebeu por causa de seu nascimento. Aquilo era sua família, seu estilo de vida, seu modo de pensar, pois sempre aprendeu a ser um rei, mesmo que não quisesse ser um. Ele queria tanto que a sua família fosse melhor e que ele pudesse continuar em seu ofício, porém com seu filho — até então não legítimo —, com o amor da sua vida e eles pudessem ser rei e rei daquele lugar.
Hoseok deixou a sua carta na mesa do pai, para que ele lesse assim que acorda-se. Com certeza, Homul sentiria muito feliz em saber que agora era o herdeiro oficial de tudo aquilo. O ex-príncipe, passou nos quartos dos filhos, pegando-os e saindo pelo fundo do castelo. Andar por quarenta minutos com duas crianças no colo, foi difícil, porém gratificante quando viu Taehyung esperando-o na porta de sua casa, onde arrumava com outro homem uma carroça com as coisas. Hoseok colocou os filhos no chão e Taehyung, com um belo sorriso no rosto, aproximou-se dele, abraçando-o.
— Tenho que admitir que estavas com medo de não vim.
— Eu nunca mais vou deixá-lo ires embora sem mim, Taehyung. — Hoseok sussurrou, beijando o pescoço do maior. — Não quero perdê-lo outra vez.
3 ANOS DEPOIS

Adaptar-se à sua nova rotina, não foi nada fácil. Hoseok só consegui aceitar sua nova condição depois de um ano acordando cedo e tendo que trabalhar na terra como todos ali. Mas depois de três anos vivendo como um ex-monarca, ele já conseguia fazer tudo muito melhor e reclamar bem menos. Porém Hoseok ainda sonhava em ser tão bom quanto Taehyung nas coisas.
Hoseok, sentindo-se cansado, sentou-se em um dos bancos ali perto, olhando para o pôr do sol, vendo sua respiração, pois estava realmente muito frio.
— Feliz aniversário, pai. — Taeyang disse, abraçando o pai por trás e tirando uma gargalhada do mesmo.
Ele conseguia lembrar-se do dia que Taehyung revelou para Taeyang que Hoseok era seu pai. Taeyang assim como Jisoo e Moonbyul ficaram chocados ao saberem que tinham um irmão mais velho, porém eles aceitarão muito rápido tudo aquilo.
— Obrigado. Tae. — Hoseok puxou o filho para frente, abraçando-o.
— Então, Jisoo e Moon estão fazendo uma festa para você com o pai, porém não fui eu que contei.
— Estás me contando por quê?
— Porque eles não quiseram deixar-me ajudar e mandaram eu te atrasar.
— Ah. — Hoseok riu. — É porque eres um desastre na cozinha assim como ele.
— Quebrar três ovos não é ser um desastre, pai! — Taeyang brigou com ele.

Hoseok entrou em casa na mesma hora que Taehyung gritou para ele. Na mesa tinha comida e um bolo com quatro bonequinhos em cima.
— Nós que fizemos, pai. — Jisoo pulou no pai, dando-o um abraço. — Tudo mesmo.
— Menos eu! — Taeyang reclamou, sentando-se na cadeira.
— É que você estava acabando com todos os ingredientes, meu filho. — Taehyung deu risada. — Você deve ficar com os números mesmo.
— Eu vou chamar vossos avós para comer. — Moonbyul falou, saindo correndo para a casa do lado.
Hoseok abraçou Taehyung, dando-o um beijo e apertando-o muito.
— Você e vossos filhos? — Hoseok apontou para os bonequinhos no bolo.
— Taeyang, Jisoo, Moonbyul e… — Taehyung calou a boca, olhando para Hoseok.
— Está grávido? — Hoseok sussurrou, sentindo seu coração pular com a confirmação. — MEU DEUS! Me escondeu isso quanto tempo?
— Pouco tempo, duas semanas, porém isso será revelado agora para a família.
— Este é o melhor presente de aniversário que pude receber! — Hoseok beijou Taehyung, sorrindo. — Eu amo você, Taehyung.
— Eu amo você, Hoseok. Amo muito! — Taehyung abraçou o “marido” com força.
Os dois não poderiam estar mais felizes, mesmo depois de tanto tempo separados por causa da maldade dos outros.
Mas, pelo menos, agora eles sabiam que a frase de “O amor vence no final” era cliché, porém verdadeira.
FIM

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