Taehyung não sabia muito bem o motivo de estar há quase três anos preso em um calabouço do castelo. Ele só se lembrava que seu pai tinha o levado para um protesto que teria contra as reformas do pagamento de impostos. Ele sabia que deveria se informar bem mais sobre os acontecimentos que o atingiam também, mas quando tinha dezesseis anos, ele só sabia reclamar de ter que passar horas trabalhando colhendo batatas ou cansando sua mão para ordenhar vacas. A única coisa que o mesmo lembrava desse dia, foi seu pai tão irritado que puxou ele e seu irmão mais velho para fora de casa, colocando-os dentro da carroça e dirigindo-se à cidade, onde eles se juntaram a um grupo enorme na frente do castelo.
O rei não deixou barato aquela situação. Então, ele apenas mandou jogar bombas e bater em todos que estavam ali. Soldados em massa, saíram de lugares inimagináveis e pegando todos para bater e prendiam levando-os para dentro do castelo. Taehyung foi o primeiro a sair dali correndo quando viu que daria muita merda se continuassem tentando lutar contra caras fortes e bem treinados e equipados. O garoto toda hora olhava para trás para saber se seu irmão e seu pai estavam o seguindo, porém as bombas de gás que soltaram, ardiam seus olhos e ele parou um pouco, limpando a visão com as mangas de sua camisa. Foi ali que o mesmo foi pego e preso.
As celas ficaram lotadas de pessoas, mas seu pai e irmão não tinham sido pegos ou, no pior dos casos, mortos. Gradualmente, as pessoas que estavam naquele piso do calabouço foram retiradas de lá e só Deus sabia o que tinha acontecido com eles. Por fim, só sobrou Taehyung ali sozinho e trancando atrás de grades tão grossas que ele não sabia o que poderia fazer para tentar escapar. O local era escuro e só tinha uma pequena abertura na qual ele podia ver a luz do sol. O local era fedorento, mas ele já tinha se acostumado com o cheiro que tinha virado normal para ele. O local tinha sido esquecido. Ele tinha sido esquecido. Ele passou quase quinze dias sem comer ou beber alguma coisa, pois ninguém ia ali. Ele tinha sido tão silencioso daquela forma que tinham o esquecido ou era uma tortura não avisada para morrer enquanto seu corpo deteriorava-se por dentro?
Taehyung não tinha mais esperança de nada, até que ouviu uma respiração e passos pesados invadirem o local depois de tanto tempo. Usando sua força que ainda restava, ele se arrastou até as grades de ferro e gritou por ajuda. Os passos sessaram e a respiração desapareceu. Taehyung gritou mais uma vez de raiva; Eles queriam deixá-lo ali até sua morte por fome? O garoto deslizou seu corpo por toda a grade, deitando-se no chão frio e duro. Até que um par de sapatos sociais pararam na sua frente e ele olhou para cima, vendo um homem bem-vestido e bem cheiroso. Ele até tinha esquecido como era sentir um bom cheiro desde que tinha pisado por ali. Com dificuldade, Taehyung, levantou-se, ficando na mesma altura do outro homem com cabelos alaranjados.
— Não acredito que esqueceram-te aqui! — o mesmo falou com tom de soberba na voz. — Ótimo, vou avisar aos meus súditos que podem mandá-lo para a guilhotina também.
Taehyung engoliu seco, continuando a olhar para os olhos do homem bem-vestido. Seu coração estava disparado e ele sentiu uma fraqueza tomar ele e seu corpo todo se arrepiar.
— Ainda és um mal-educado, pois não te prostras diante de teu futuro rei!
Taehyung naquele momento de se deu conta de que estava na frente do filho do rei, porém ele ainda não conseguia dar sequer um gesto para mostrar que ele não estava desrespeitando-o, só estava paralisado observando toda a beleza que o mesmo exalava até por seus poros.
— Não vais dizer nada? — o outro perguntou, perdendo a paciência. — Serão teus últimos minutos de vida, deverias dizer algo! — ele colocou a mão para trás.
O corpo de Taehyung queimava como fogo só de ver o quão idiota era aquele príncipe que aparentava ter a mesma idade que a dele. Um mimado. Isso era tudo que passava e repassava na mente do outro. Um príncipe mimado.
Taehyung sentiu suas pernas bambearem mais uma vez.
— Água… — ele pediu, caindo no chão com a visão preta.

Quando acordou, não tinha mais ninguém naquele lugar. Ele estava cheio de machucados pela queda e se lamentou por não estar morto. Seu estômago não aguentava mais a fome que sentia e nem ele. Estava tão faminto que poderia arrancar seu próprio dedo e comer. Taehyung fechou mais olhos, lembrando-se do príncipe ali na sua frente o mesmo não tinha feito nada para ajudá-lo.
Passos preencheram o local de novo e Taehyung lembrou-se das palavras do príncipe e o frio na barriga veio à tona, deixando-o com olhos marejados só de saber que era aquele momento que morreria. Ele colocou a mão na frente do rosto, deixando-se chorar de medo. Era injusto ele morrer por algo que foi obrigado à ir. O barulho de uma portinha de ferro abrindo, fez Taehyung olhar para cima e ver novamente o príncipe na sua frente, mas diferente de manhã que ele estava com roupas luxuosas, agora ele estava apenas com um simples pijama azul-marinho e os cabelos um pouco bagunçados. O príncipe colocou um prato na pequena abertura que tinha e passou uma xícara entre as frestas das grades. Seu lado desesperado por comida, pulou na para frente pegando a xícara e o prato.
Taehyung comia como um animal sem se importar com uma figura tão importante que estava na sua frente, observando-o comer. O de cabelos alaranjados deu um suspiro, virando-se de costas para seguir para fora daquele lugar, mas Taehyung o chamou.
— Obrigado. — ele pediu, sendo realmente grato por, pelo menos, ter o prazer de comer antes de morrer.
— Devemos atender o último pedido das pessoas antes de tua morte. — o príncipe respondeu para ele, entretanto, ele não virou-se para vê-lo.
Voltando a engolir seco, Taehyung calou-se diante da frieza que era tratado por aquela pessoa que era da sua idade. Porém aquilo o atraia demais.
— Qual o teu nome? — ele perguntou.
Taehyung não era muito ligado nas notícias e só sabia mesmo do nome do rei.
— Não interessa!
— Serás o meu último pedido, Alteza. — ele usou a esperteza que tinha para tentar arrancar algo do outro.
— Jung Hoseok. — ele respondeu, sem olhar para ele.
— O meu é…
— Não fales mais nada. — Hoseok virou-se para ele, com uma expressão bem fria. — Quando sabemos o nome de alguém, nós podemos criar vínculos com ela. E a última coisa que eu quero criar contigo é alguma espécie de vínculo, teu criminosinho. — Hoseok voltou a virar-se de costas para ele e ele desapareceu na escuridão.

“E a última coisa que eu quero criar contigo é alguma espécie de vínculo.” — Aquela tinha sido a maior mentira contada naquele calabouço. A coisa que eles mais tinham criado depois daquela conversa, foi um vínculo forte e tão puro que foi chamado de amor pelos dois um tempo depois.
Depois da noite que Hoseok apareceu levando comida para Taehyung, ele começou a repetir aquilo todos os dias. Taehyung não sabia se gostava ou estava triste por estar naquele trancado naquele lugar ainda. Só que a amizade que eles criavam era bem importante para ambos. Hoseok se mostrou uma pessoa totalmente diferente do que Taehyung imaginava e até deixou-o dizer seu nome. Hoseok o alimentava com as melhores coisas que tinha no castelo e até levava-o para tomar banho às escondidas.
Os beijos apareceram em uma dessas noites que Hoseok levava Taehyung para se banhar. Beijos que tinham um gosto doce daquela paixão pura que nascia entre eles, porém proibido. Depois algumas horas juntos naquela cela que, de alguma forma, Hoseok tinha conseguido a chave, mas tinha pedido para Taehyung não contar com ele para fugir daqui, pois ele tinha medo de seu pai e, obediente do jeito que era, o mais novo respeitou o pedido de seu hyung.
O namorinho durou alguns meses, até que passaram a passar noites inteiras juntos na cela ou no quarto de Hoseok. Era bem perigoso, mas Taehyung adorava passar as noites com ele, principalmente do calabouço. Naquele lugar escuro onde só eles dois estavam e podiam desfrutar um do outro, principalmente quando as coisas saíram de beijos para roupas jogadas no chão de qualquer jeito e ele cavalgando no colo do príncipe — mimado — ou de quatro totalmente submisso a ele. De qualquer forma, Taehyung adorava estar com o seu Hoseok e desfrutava de todos os momentos quentes ou não que podia estar com ele. Afinal, ninguém sabia quando eles seriam pegos e Taehyung morreria.
Hoseok acariciava as costas nuas de Taehyung, enquanto eles trocavam beijinhos depois de terem transado minutos atrás. Taehyung se acomodou melhor no colo de Hoseok, dando uma risada quando o príncipe deu um gemido rouco, puxando seu lábio inferior, arrepiando-o por inteiro.
— Eu te amo, Taehyung. — Hoseok sussurrou.
— Eu te amo, Hoseok. — Taehyung o respondeu, massageando os ombros de Hoseok.
— Eres a melhor coisa que aconteceste na minha vida. — Hoseok se declarou para o plebeu. — Por isto, vou tirar-te daqui — Hoseok falou.
— O quê? — Taehyung disse, sentindo suas costas nuas, sendo acaricidas. — Me tirar daqui?
— Daqui dois dias terá uma festa no palácio. Uma festa para comemorar os quinze anos de minha irmã. Todos estarão bem ocupados, então será fácil ajudá-lo.
— Tens um plano para isso?
— Vamos te vestir de princesa.
— O quê? — Taehyung bufou, irônico, ficando com raiva de Hoseok. — Eu não me vestirei de princesa!
— Queres sair daqui ou não? — o príncipe perguntou, deixando seu lado mimado transparecer. — Eu pensei em tudo, peguei roupas que cabem em ti e agora fazes isso comigo?
— Mas princesa?
— Não passarás muito tempo com aquela roupa mesmo. — Hoseok levantou-se do chão, aproximando-se do corpo nu de Taehyung. — Não tenhas medo, meu amor. Eu nunca faria algo que fosse ruim para tua integridade. Me conheces há quase três anos e eu nunca o decepcionei em nada.
— Me desculpe, Hoseok. — Taehyung pediu, aceitando o abraço de seu amor. — Eu não estou me vendo vestido como uma garota.
— Vais ficar lindo como já é. — Hoseok deu risada, beijando os lábios de teu amante.
Taehyung não podia negar que o amor que sentia por Hoseok, tirava-o do sério e aquilo, às vezes, era péssimo, pois nunca conseguia dizer não para aquele príncipe, porém era verdade, nesses três anos, Hoseok não tinha o decepcionado uma vez que fosse, e só aquilo já era um motivo para confiar mais e mais nele.
A fuga tinha sido um sucesso. No dia do baile, Hoseok desceu para o calabouço levando algumas roupas femininas para Taehyung poder usar. O garoto achava-se ridículo com aquela fantasia, mas conseguia rir um pouco já que Hoseok ria demais dele. Taehyung nunca tinha se visto perto de qualquer coisa considerado feminino, mas ali estava ele, como uma princesa a procura de um príncipe.
Hoseok levou-o para a saída do fundo, deixando-o no começo da estrada de barro que daria para o meio da floresta. Taehyung começou a chorar naquele mesmo instante, sentindo seu coração ficar pesado. A mão delicada de Hoseok passou por seu rosto, secando suas lágrias, dando-o um pouco de conforto.
— Me encontres daqui três dias na frente do lago no meio da floresta. Estarei a te esperar lá para podermos ficarmos juntos novamente.
— E-eu vou estar. Te cuidas, Hoseok.
— Te cuidas, pois eu tenho várias pessoas para me cuidar. — ele riu. — Agora, vá antes que alguém nos veja e atrapalhe essa fuga.
— Te amo e não se esqueças de mim.
— Te amo e nunca irei esquecer-te, bobo. Por favor, não esqueças nosso encontro. Me espere assim que o sol se pôr.
— Eu vou estar lá, Hoseok!
Eles se beijaram pela última vez na noite, antes de Taehyung começar a correr no meio da mata, enquanto Hoseok observava-o com o coração na mão, porém feliz em vê-lo livre.
— Eu amo muito você.
Hoseok falou para o ar e seus olhos não conseguiam mais ter a visão de Taehyung por perto.
A chegada na casa de Taehyung foi bem conturbada, principalmente que ele ainda estava com roupas e princesa. Seus pais não sabiam se riam de quão ridículo ele estava ou de felizes, pois seu filho tinha voltado para casa. Taehyung estava com tanta saudades dele que nem ligou para as piadinhas que faziam. Ele só queria tomar um banho e comer uma comida caseira feita pelas mãos de sua mãe.
Após três dias, Taehyung saiu com um sorriso no rosto para encontrar Hoseok na frente do lago na floresta. Finalmente um encontro com o seu querido príncipe em liberdade. Só que uma coisa estava o deixando triste, já estava quase escuro e nada de Hoseok aparecer. Taehyung sentiu-se traído e mil paranoias passam por sua cabeça, porém quando ouvi passos no meio da floresta e o rosto de Hoseok sorrindo para ele, Taehyung correu até o príncipe, dando-o um abraço.
— Desculpa pela demora. — Hoseok pediu.
Taehyung colocou os dedos em seus lábios, beijando-os pela primeira vez em três dias. Três longos dias que pareceram uma eternidade longe dele, mas que agora poderia matar a saudade como quisesse e seria beijando Hoseok.

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